

Um prontuário eletrônico gratuito pode ser uma alternativa para profissionais que querem registrar e organizar os atendimentos sem adicionar uma nova mensalidade aos custos do consultório. Mas, antes de escolher uma ferramenta, é importante avaliar não apenas o preço, mas também os limites do plano, a segurança dos dados e a possibilidade de acessar e exportar o histórico dos pacientes.
Esse cuidado é ainda mais importante porque as informações do prontuário precisam permanecer disponíveis pelo período previsto na legislação, inclusive quando armazenadas em meio digital. Por isso, limites de pacientes, mudanças no plano gratuito e dificuldades para migrar os dados podem tornar uma solução inicialmente econômica pouco adequada no longo prazo.
Neste texto, você vai entender como escolher um prontuário eletrônico gratuito, o que considerar sobre armazenamento e requisitos legais, quando um plano grátis pode ser suficiente e quais limitações merecem atenção. Continue a leitura e confira também 8 perguntas para fazer ao fornecedor antes de cadastrar o primeiro paciente.
A mesma expressão cobre três ofertas bem diferentes. Antes de comparar sistemas, descubra qual delas está na sua frente.
Tipo de oferta | Como costuma aparecer | O que checar |
|---|---|---|
Teste gratuito | "Grátis por 14 dias", com cobrança depois | Quanto custa o plano pago e se os dados saem do sistema |
Plano gratuito com limite | "Grátis até 100 pacientes cadastrados" | O que acontece quando você chega no limite |
Plano gratuito sem prontuário | Agenda grátis, prontuário só no plano pago | Se o recurso que você procura está mesmo incluído |
Gratuito ou pago, o prontuário eletrônico precisa respeitar as mesmas regras. Elas mudam o que você deve perguntar antes de escolher. Para a visão completa dos critérios, veja o guia para escolher um prontuário eletrônico.
A Lei 13.787/2018 diz, no art. 6º, que o prontuário só pode ser eliminado depois de no mínimo 20 anos a partir do último registro, e o §5º estende a regra aos prontuários criados originalmente em meio eletrônico. A Resolução CFM 1.821/2007 fala em guarda permanente para o prontuário arquivado eletronicamente (art. 7º). A resolução foi modificada depois, por normas posteriores do CFM, e há leituras diferentes sobre qual prazo prevalece. Na prática, planeje guardar o histórico por tempo indeterminado e confirme a versão atual da regra com o seu conselho regional.
Isso tem uma consequência direta para o plano gratuito: seus dados precisam poder sair do sistema. Se o plano mudar daqui a cinco anos, o histórico continua sendo sua responsabilidade.
Na redação de 2007, a Resolução CFM 1.821/2007 só autoriza abrir mão do prontuário em papel quando o sistema atende integralmente ao padrão NGS2 do manual de certificação (arts. 3º e 4º), que prevê assinatura digital com certificado ICP-Brasil (art. 5º). Um sistema que organiza anotações, mas não tem assinatura digital, ajuda no dia a dia e ainda deixa você com o papel. Pergunte ao fornecedor qual nível o sistema atende. Se você ainda não tem certificado digital, o guia sobre prescrição digital explica como funciona a assinatura em nuvem.
A Lei Geral de Proteção de Dados classifica dado referente à saúde como dado pessoal sensível (art. 5º, II). O consultório decide por que e como os dados dos pacientes são usados, o que na lei se chama controlador. O fornecedor do sistema tende a ocupar o papel de operador. A LGPD responsabiliza controlador e operador que causem dano a outras pessoas ao tratar dados (art. 42) e exige medidas de segurança para proteger esses dados (art. 46). Essa responsabilidade não desaparece porque o sistema é gratuito, e é por isso que o contrato com o fornecedor importa mesmo quando não há cobrança. O guia de LGPD na teleconsulta detalha o que comunicar ao paciente quando o atendimento é a distância.
Psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas seguem as normas do próprio conselho sobre registro e guarda de documentos. A Lei 13.787/2018 vale para todo prontuário de paciente, mas as regras específicas de cada profissão podem trazer exigências próprias. Consulte o seu conselho regional antes de fechar a escolha.
O prontuário eletrônico grátis costuma funcionar bem em uma fase específica. Imagine que você atende em poucos períodos por semana, sozinho, com uma carteira pequena de pacientes particulares. Um sistema para consultório com limite de cadastros acima da sua carteira e com exportação completa dos dados cobre o que você precisa agora: registrar a consulta, consultar o histórico e emitir documentos.
Isso vale especialmente se você está testando como um sistema entra na sua rotina antes de assumir um custo fixo. O teste também serve para descobrir do que você sente falta, e essa lista ajuda a escolher o plano pago, se ele chegar a ser necessário.
Para enxergar os principais custos de manter o consultório e ver onde um sistema pago entraria, use a calculadora de custos do consultório da Livance.
Alguns sinais indicam que o plano grátis ficou pequeno:
Estas perguntas valem para qualquer prontuário eletrônico gratuito e cabem em um e-mail ao suporte do fornecedor. Guarde as respostas, porque elas funcionam como registro da sua decisão.
Se alguma resposta não estiver no site do fornecedor e ele não souber responder, trate isso como informação. Um sistema que guarda dado de saúde precisa explicar como guarda.
Trocar de prontuário exige exportar o histórico, adaptar os campos ao novo sistema, treinar quem usa e conviver com os dois sistemas por um período. Imagine que você precise fazer isso em um fim de semana, com 200 pacientes cadastrados, porque o limite do plano gratuito acabou. Esse trabalho consome horas que não são de atendimento.
Por isso, vale incluir esse trabalho na comparação entre o prontuário eletrônico gratuito e um plano pago. O valor do sistema pago entra no custo do consultório e no valor da consulta, e uma escolha feita com a migração em mente evita esse trabalho em cima da hora.
Esse raciocínio é parte de uma questão maior: quantos sistemas separados você precisa manter para atender. Quem reduz esse número ganha tempo em todas as frentes da gestão do consultório.
Sua situação | O gratuito costuma bastar? | Por quê |
|---|---|---|
Atendo sozinho, carteira pequena | Sim, se exportar os dados | O limite de cadastros ainda não pesa |
Tenho recepção ou mais profissionais acessando | Só com perfis de acesso | Sigilo e rastreio de quem viu cada prontuário |
Preciso de anamnese da minha especialidade | Costuma não bastar | Modelos fixos geram retrabalho |
Quero dispensar o papel | Só com assinatura digital (NGS2) | Sem ela, o papel continua |
Meu cadastro está perto do limite | Planeje a troca agora | Migrar com calma custa menos do que migrar com pressa |
Prontuário eletrônico gratuito é um bom ponto de partida para quem atende pouco e escolhe o sistema com critério. Para decidir sem se arrepender:
Quem quer reduzir a quantidade de sistemas para administrar encontra agenda, site de agendamento e gestão do espaço nas unidades Livance. O prontuário continua sendo uma escolha sua, e as 8 perguntas acima valem para qualquer fornecedor.
A segurança depende dos recursos do sistema e do fornecedor, independentemente do valor. Um sistema gratuito pode ter backup, criptografia e controle de acesso, e um pago pode não ter. Confira essas características, os termos de uso e quem é o operador dos dados. A responsabilidade pelos dados dos pacientes não desaparece porque o sistema é gratuito.
Não existe um melhor para todos os consultórios. O que melhor atende você é o sistema que permite exportar os dados, comporta o tamanho da sua carteira e tem os recursos da sua especialidade. Use as 8 perguntas deste guia para comparar dois ou três antes de cadastrar pacientes.
A Lei 13.787/2018 reconhece o prontuário digital, desde que a guarda proteja a integridade, a autenticidade e a confidencialidade do documento. Para dispensar o papel, a Resolução CFM 1.821/2007 exige sistema com padrão NGS2 e assinatura digital. Sem isso, o prontuário em papel continua existindo.
No mínimo 20 anos a partir do último registro, segundo a Lei 13.787/2018. A Resolução CFM 1.821/2007 fala em guarda permanente para o arquivo eletrônico, e há leituras diferentes sobre qual prazo prevalece. Na prática, planeje guardar por tempo indeterminado e confirme a regra atual com o seu conselho regional.
Depende do contrato e dos termos de uso, e por isso a exportação é a primeira pergunta do roteiro. Faça cópias completas com regularidade, em um local seguro e com acesso restrito, para não depender de aviso do fornecedor.
Podem, desde que o sistema atenda às normas do conselho da profissão sobre registro e guarda de documentos. A Lei 13.787/2018 vale para todo prontuário de paciente, e cada conselho pode ter regras próprias. Consulte o seu conselho regional antes de decidir.
Na redação de 2007 da Resolução CFM 1.821, o sistema precisa atender integralmente ao padrão NGS2, que prevê assinatura digital com certificado ICP-Brasil. Sem isso, o prontuário em papel continua existindo ao lado do eletrônico. Pergunte ao fornecedor qual nível o sistema atende.
Dado de saúde é dado pessoal sensível. O consultório decide como os dados dos pacientes são usados, o que na lei se chama controlador, e o fornecedor tende a ser o operador. A responsabilidade não desaparece porque o sistema é gratuito, e por isso os termos de uso importam.





