Marketing e Atração de Pacientes

Telepsicologia: como funciona e como estruturar esse atendimento no seu consultório

Gustavo Garcia
20 out, 2026
Pessoa sentada à mesa de madeira faz anotações em um caderno enquanto utiliza um notebook. Sobre a mesa há um fichário com documentos, e ao fundo aparece uma planta em vaso em um ambiente interno.

A telepsicologia permite realizar atendimentos psicológicos online por meio de tecnologias digitais. Para oferecer esse serviço, porém, o profissional precisa conhecer as regras do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e adotar cuidados para garantir a qualidade do atendimento e o sigilo das informações.

Uma das principais mudanças ocorreu com a Resolução CFP nº 9/2024: o cadastro prévio no e-Psi deixou de ser exigido. O psicólogo deve manter seu registro profissional ativo e avaliar se o atendimento online é adequado para cada caso, além de utilizar recursos e procedimentos compatíveis com a proteção das informações do paciente.

Neste guia, você vai entender como funciona a telepsicologia, o que mudou com a Resolução CFP nº 9/2024 e quais cuidados são necessários para atender online. Continue a leitura para conferir também orientações sobre ambiente, tecnologia, contrato e organização da agenda.

O que mudou em 2024 na telepsicologia

A Resolução CFP 9/2024 foi aprovada em 18 de julho de 2024, publicada no Diário Oficial em 30 de julho e passou a valer 30 dias depois. Ela revogou as Resoluções CFP 11/2018 e 04/2020, que regiam o atendimento online até então. Boa parte do conteúdo sobre o tema ainda cita as normas antigas. Este texto foi conferido em 20/10/2026.

Ponto

Até agosto de 2024

Hoje

Norma principal

Resoluções CFP 11/2018 e 04/2020

Resolução CFP 9/2024

Cadastro prévio

Cadastro no e-Psi

Não é mais exigido, segundo o CRP-04

Tipo de serviço

Algumas restrições

Em princípio, qualquer serviço, cabendo a você avaliar a viabilidade (segundo o CRP-04)

Urgência e violência

Não podiam ser atendidas à distância

Podem, se você avaliar que é viável, com avaliação ética e técnica

As três últimas linhas seguem o resumo que o CRP-04, de Minas Gerais, publicou sobre a norma. Confira sempre o texto da resolução e as orientações do seu CRP antes de decidir um caso.

O que é necessário para atender psicologia online

Segundo o CRP-04, o ponto de partida é ter registro ativo no CRP e capacitação para o serviço que você oferece. A partir daí, a Resolução CFP 9/2024 não traz uma lista de ferramentas aprovadas nem um formulário. Ela pede que você avalie, escolha e registre. Em resumo:

  1. Avaliar a viabilidade e a adequação do formato digital ao caso, segundo o Código de Ética e a literatura científica (art. 3º, §1º, e art. 4º).
  2. Verificar as condições contextuais e tecnológicas de confidencialidade e privacidade (art. 4º, I).
  3. Considerar as competências suas e do paciente no uso da tecnologia (art. 4º, II e III).
  4. Observar características do paciente, como deficiências, diferenças culturais e de idioma e faixa etária (art. 4º, VIII).
  5. Poder se identificar e identificar o paciente quando necessário (art. 4º, X).
  6. Ter meios para lidar com urgência e emergência durante o atendimento, ou encaminhar o caso (art. 4º, VI, e art. 5º).
  7. Fazer contrato, escrito ou verbal, e informar ao paciente quais recursos tecnológicos protegem o sigilo (art. 7º).
  8. Registrar o atendimento e seguir as normas sobre documentos (art. 8º). Ações de encaminhamento entram no prontuário (art. 5º, §2º).
  9. Lembrar o alcance da norma: vale para a prática em território nacional e dispensa a inscrição secundária em outros CRPs (art. 6º).

Se você aplica testes psicológicos, a norma exige instrumentos com parecer favorável do SATEPSI (art. 2º, parágrafo único).

Quais atendimentos funcionam online

Em princípio, a resolução não proíbe nenhum tipo de atendimento, segundo o CRP-04. A decisão clínica é sua, caso a caso. Imagine que um paciente em acompanhamento semanal muda de cidade e quer continuar o processo com você. Manter as sessões online pode fazer sentido, e a norma pede que você avalie isso, não que peça autorização a alguém.

Outras situações exigem mais cuidado. Em risco à vida ou à integridade, violência, privação de liberdade ou emergências, o art. 5º pede que você considere o atendimento presencial, concomitante ou exclusivo, ou o encaminhamento à rede de proteção. Ter esse plano pronto antes da primeira sessão online evita decisões no improviso. O que você combinou deve constar no prontuário.

Como estruturar o atendimento psicológico online no seu consultório

Sala e privacidade

Na telepsicologia, o sigilo começa na sala. Use um espaço fechado e silencioso, sem circulação de pessoas, com atenção ao que aparece no fundo da imagem e ao que se ouve do lado de fora. Oriente o paciente a escolher um local privado também, porque a norma pede que você considere as condições de confidencialidade e privacidade do atendimento (art. 4º, I).

Tecnologia e sigilo

A resolução não indica uma ferramenta específica nem proíbe nenhuma. A escolha da ferramenta e a responsabilidade pelo sigilo são suas. Alguns critérios ajudam a decidir:

  • Como o paciente acessa a chamada, com link próprio ou com conta
  • Onde os dados ficam armazenados e quem tem acesso
  • Se a ferramenta grava por padrão e se dá para desativar
  • Se você consegue exportar seus registros caso troque de sistema

Dado de saúde é dado pessoal sensível na Lei Geral de Proteção de Dados (art. 5º, II), o que reforça a atenção com onde e como a informação circula. A resolução também não trata de gravação de sessões. Se você pretende gravar, combine antes com o paciente e consulte o seu CRP. O guia de LGPD na teleconsulta mostra o que comunicar ao paciente em atendimento a distância.

Contrato

O contrato pode ser escrito ou verbal, mas registrar por escrito protege os dois. A norma lista o que ele deve cobrir: as características do trabalho, os direitos e deveres de cada parte, os recursos tecnológicos usados e a cláusula de foro (art. 7º). Aproveite para combinar o que fazer se a conexão cair, como funcionam atraso e cancelamento e como o paciente pode falar com você fora da sessão.

Prontuário e registro

A sessão online gera registro como a presencial. Siga as normas do CFP sobre produção e guarda de documentos (art. 8º) e registre também as ações de encaminhamento e articulação quando houver (art. 5º, §2º). Para escolher onde registrar, veja o guia de prontuário eletrônico e, se estiver avaliando uma opção sem custo, quando o prontuário eletrônico gratuito vale a pena.

Agenda e cobrança

Defina o mesmo horário fixo da presencial, quando possível, e deixe claro o formato da cobrança. A consistência de horário e de setting dá previsibilidade para você e para o paciente.

Antes de abrir horários online, faça as contas do seu consultório: quantas sessões por semana, quanto tempo de intervalo entre elas e quanto custa manter o espaço no mês. A calculadora de custos do consultório da Livance mostra os principais custos para você planejar esse formato sem surpresa.

Como funciona a psicologia online na prática: o que combinar antes da primeira sessão

A primeira sessão online corre melhor quando o paciente já sabe o que esperar. Envie as combinações por escrito, com antecedência, e confirme que ele entendeu. Um roteiro enxuto cobre o essencial:

  • Local e privacidade. Peça que ele escolha um lugar reservado, com fone de ouvido, e avise as pessoas da casa que não deve ser interrompido.
  • Teste de conexão. Combine um horário curto de teste para conferir áudio e imagem antes da sessão.
  • Plano para queda de conexão. Defina se você retoma por chamada de voz, por mensagem ou se reagenda, e qual tolerância de atraso vale nesses casos.
  • Contato em situação de urgência. Registre um telefone e um endereço para emergência e informe como falar com você fora do horário combinado.
  • Gravação. Deixe claro se a sessão será ou não gravada. A resolução não trata do tema, então o combinado protege os dois lados.
  • Cobrança e cancelamento. Informe como e quando o pagamento acontece e qual é a regra de faltas e remarcações.

Esse roteiro funciona como parte do contrato que a norma pede, e reduz o improviso justamente nas situações em que ele mais pesa, como a queda de conexão no meio de uma sessão difícil.

Presencial, online ou híbrido: como organizar a agenda

Uma agenda mista é um cenário possível: pacientes que preferem o consultório e outros que precisam do online. Organizar por blocos ajuda. Reúna as sessões online em períodos seguidos e deixe um intervalo entre uma sessão e outra para registrar e se preparar. Evite alternar presencial e online a cada hora, o que gera deslocamento e perda de foco.

Imagine que você concentra as sessões online em duas tardes e as presenciais nas demais. A sala fica preparada para o formato do dia, e você não precisa reorganizar o ambiente a cada paciente.

Na Livance, você encontra salas de psico e de teleconsulta, com contratação por minuto ou mensalidade, para escolher o formato que acompanha a sua agenda. Conheça as unidades Livance.

Como divulgar o atendimento online sem infringir o Código de Ética

A norma deixa claro que você responde pelas declarações públicas sobre os seus serviços, inclusive conteúdo publicado por meios digitais (art. 3º, §2º). Isso vale também para o anúncio de que você atende online. Como boa prática, descreva o serviço sem prometer resultado, mantenha o perfil profissional separado do pessoal e priorize conteúdo educativo.

O guia de marketing para psicólogos detalha o que o Código de Ética permite e proíbe na divulgação. Para ver como o atendimento online se encaixa em uma estratégia maior, veja os quatro pilares do marketing médico.

Erros comuns na telepsicologia

  • Seguir uma página desatualizada e se preocupar com um cadastro que não existe mais, enquanto deixa de cumprir o que a norma atual pede
  • Escolher a ferramenta só pelo valor, sem checar onde os dados ficam e quem acessa
  • Atender sem contrato, sem combinar conexão, atraso e cancelamento
  • Não ter plano para urgência, sem endereço e contato de emergência do paciente
  • Esquecer o registro das ações de encaminhamento no prontuário
  • Aplicar teste psicológico sem conferir se o instrumento tem parecer favorável do SATEPSI

Telepsicologia começa pela regra atual

A telepsicologia está regulamentada e deixou de exigir cadastro prévio. O que muda a qualidade do seu atendimento online é a estrutura que você monta. Para começar:

  • Confirme sua inscrição ativa no CRP e sua capacitação para o serviço
  • Avalie, caso a caso, se o formato online serve ao paciente
  • Prepare a sala, a ferramenta e o plano para urgências antes da primeira sessão
  • Formalize um contrato e informe como protege o sigilo
  • Registre o atendimento e as ações de encaminhamento no prontuário

Divulgar o atendimento com clareza ajuda o paciente certo a encontrar você. O plano de captação de pacientes da Livance organiza ações de atração e retenção para o seu consultório.

Perguntas frequentes

É o atendimento psicológico online, mediado por tecnologia digital, como videochamada, áudio ou texto. A Resolução CFP 9/2024 regula esse exercício e abrange a comunicação com o paciente e o registro e a guarda de informações.

Segundo o CRP-04, registro ativo no CRP e capacitação para o serviço. Pela Resolução CFP 9/2024, você também avalia a viabilidade do formato, cuida do sigilo, faz contrato, tem meios para urgência e registra o atendimento. Não há cadastro prévio.

Pode, desde que tenha inscrição ativa no CRP e esteja capacitado para o serviço que oferece, segundo o CRP-04. Você também precisa avaliar se o formato online é adequado a cada caso e proteger o sigilo.

Não. A Resolução CFP 9/2024 revogou as normas de 2018 e 2020, e o cadastro prévio deixou de ser exigido. O que continua valendo é o registro ativo no CRP, a capacitação e a avaliação de cada caso. Páginas antigas ainda citam o e-Psi, então confira a data do conteúdo.

Pode. A norma permite oferecer serviços mediados por tecnologia independentemente do estado da sua inscrição principal e dispensa a inscrição secundária. Os limites de alcance valem para a prática em território nacional, e profissionais que moram no exterior seguem a lei local (art. 6º, §2º). Se você ou o paciente estiver em outro país, consulte o seu CRP.

O texto da resolução não trata de gravação. Se você pretende gravar, combine antes com o paciente, informe a finalidade e consulte o seu CRP. Muitas ferramentas gravam por padrão, então confira essa configuração.

A norma permite avaliar a viabilidade, mas o art. 5º pede que você considere o atendimento presencial ou o encaminhamento à rede de proteção em casos de risco à vida, violência ou emergência, entre outros. Tenha meios de contato e um plano antes da sessão e registre as ações no prontuário.

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