

A telepsicologia permite realizar atendimentos psicológicos online por meio de tecnologias digitais. Para oferecer esse serviço, porém, o profissional precisa conhecer as regras do Conselho Federal de Psicologia (CFP) e adotar cuidados para garantir a qualidade do atendimento e o sigilo das informações.
Uma das principais mudanças ocorreu com a Resolução CFP nº 9/2024: o cadastro prévio no e-Psi deixou de ser exigido. O psicólogo deve manter seu registro profissional ativo e avaliar se o atendimento online é adequado para cada caso, além de utilizar recursos e procedimentos compatíveis com a proteção das informações do paciente.
Neste guia, você vai entender como funciona a telepsicologia, o que mudou com a Resolução CFP nº 9/2024 e quais cuidados são necessários para atender online. Continue a leitura para conferir também orientações sobre ambiente, tecnologia, contrato e organização da agenda.
A Resolução CFP 9/2024 foi aprovada em 18 de julho de 2024, publicada no Diário Oficial em 30 de julho e passou a valer 30 dias depois. Ela revogou as Resoluções CFP 11/2018 e 04/2020, que regiam o atendimento online até então. Boa parte do conteúdo sobre o tema ainda cita as normas antigas. Este texto foi conferido em 20/10/2026.
Ponto | Até agosto de 2024 | Hoje |
|---|---|---|
Norma principal | Resoluções CFP 11/2018 e 04/2020 | Resolução CFP 9/2024 |
Cadastro prévio | Cadastro no e-Psi | Não é mais exigido, segundo o CRP-04 |
Tipo de serviço | Algumas restrições | Em princípio, qualquer serviço, cabendo a você avaliar a viabilidade (segundo o CRP-04) |
Urgência e violência | Não podiam ser atendidas à distância | Podem, se você avaliar que é viável, com avaliação ética e técnica |
As três últimas linhas seguem o resumo que o CRP-04, de Minas Gerais, publicou sobre a norma. Confira sempre o texto da resolução e as orientações do seu CRP antes de decidir um caso.
Segundo o CRP-04, o ponto de partida é ter registro ativo no CRP e capacitação para o serviço que você oferece. A partir daí, a Resolução CFP 9/2024 não traz uma lista de ferramentas aprovadas nem um formulário. Ela pede que você avalie, escolha e registre. Em resumo:
Se você aplica testes psicológicos, a norma exige instrumentos com parecer favorável do SATEPSI (art. 2º, parágrafo único).
Em princípio, a resolução não proíbe nenhum tipo de atendimento, segundo o CRP-04. A decisão clínica é sua, caso a caso. Imagine que um paciente em acompanhamento semanal muda de cidade e quer continuar o processo com você. Manter as sessões online pode fazer sentido, e a norma pede que você avalie isso, não que peça autorização a alguém.
Outras situações exigem mais cuidado. Em risco à vida ou à integridade, violência, privação de liberdade ou emergências, o art. 5º pede que você considere o atendimento presencial, concomitante ou exclusivo, ou o encaminhamento à rede de proteção. Ter esse plano pronto antes da primeira sessão online evita decisões no improviso. O que você combinou deve constar no prontuário.
Na telepsicologia, o sigilo começa na sala. Use um espaço fechado e silencioso, sem circulação de pessoas, com atenção ao que aparece no fundo da imagem e ao que se ouve do lado de fora. Oriente o paciente a escolher um local privado também, porque a norma pede que você considere as condições de confidencialidade e privacidade do atendimento (art. 4º, I).
A resolução não indica uma ferramenta específica nem proíbe nenhuma. A escolha da ferramenta e a responsabilidade pelo sigilo são suas. Alguns critérios ajudam a decidir:
Dado de saúde é dado pessoal sensível na Lei Geral de Proteção de Dados (art. 5º, II), o que reforça a atenção com onde e como a informação circula. A resolução também não trata de gravação de sessões. Se você pretende gravar, combine antes com o paciente e consulte o seu CRP. O guia de LGPD na teleconsulta mostra o que comunicar ao paciente em atendimento a distância.
O contrato pode ser escrito ou verbal, mas registrar por escrito protege os dois. A norma lista o que ele deve cobrir: as características do trabalho, os direitos e deveres de cada parte, os recursos tecnológicos usados e a cláusula de foro (art. 7º). Aproveite para combinar o que fazer se a conexão cair, como funcionam atraso e cancelamento e como o paciente pode falar com você fora da sessão.
A sessão online gera registro como a presencial. Siga as normas do CFP sobre produção e guarda de documentos (art. 8º) e registre também as ações de encaminhamento e articulação quando houver (art. 5º, §2º). Para escolher onde registrar, veja o guia de prontuário eletrônico e, se estiver avaliando uma opção sem custo, quando o prontuário eletrônico gratuito vale a pena.
Defina o mesmo horário fixo da presencial, quando possível, e deixe claro o formato da cobrança. A consistência de horário e de setting dá previsibilidade para você e para o paciente.
Antes de abrir horários online, faça as contas do seu consultório: quantas sessões por semana, quanto tempo de intervalo entre elas e quanto custa manter o espaço no mês. A calculadora de custos do consultório da Livance mostra os principais custos para você planejar esse formato sem surpresa.
A primeira sessão online corre melhor quando o paciente já sabe o que esperar. Envie as combinações por escrito, com antecedência, e confirme que ele entendeu. Um roteiro enxuto cobre o essencial:
Esse roteiro funciona como parte do contrato que a norma pede, e reduz o improviso justamente nas situações em que ele mais pesa, como a queda de conexão no meio de uma sessão difícil.
Uma agenda mista é um cenário possível: pacientes que preferem o consultório e outros que precisam do online. Organizar por blocos ajuda. Reúna as sessões online em períodos seguidos e deixe um intervalo entre uma sessão e outra para registrar e se preparar. Evite alternar presencial e online a cada hora, o que gera deslocamento e perda de foco.
Imagine que você concentra as sessões online em duas tardes e as presenciais nas demais. A sala fica preparada para o formato do dia, e você não precisa reorganizar o ambiente a cada paciente.
Na Livance, você encontra salas de psico e de teleconsulta, com contratação por minuto ou mensalidade, para escolher o formato que acompanha a sua agenda. Conheça as unidades Livance.
A norma deixa claro que você responde pelas declarações públicas sobre os seus serviços, inclusive conteúdo publicado por meios digitais (art. 3º, §2º). Isso vale também para o anúncio de que você atende online. Como boa prática, descreva o serviço sem prometer resultado, mantenha o perfil profissional separado do pessoal e priorize conteúdo educativo.
O guia de marketing para psicólogos detalha o que o Código de Ética permite e proíbe na divulgação. Para ver como o atendimento online se encaixa em uma estratégia maior, veja os quatro pilares do marketing médico.
A telepsicologia está regulamentada e deixou de exigir cadastro prévio. O que muda a qualidade do seu atendimento online é a estrutura que você monta. Para começar:
Divulgar o atendimento com clareza ajuda o paciente certo a encontrar você. O plano de captação de pacientes da Livance organiza ações de atração e retenção para o seu consultório.
É o atendimento psicológico online, mediado por tecnologia digital, como videochamada, áudio ou texto. A Resolução CFP 9/2024 regula esse exercício e abrange a comunicação com o paciente e o registro e a guarda de informações.
Segundo o CRP-04, registro ativo no CRP e capacitação para o serviço. Pela Resolução CFP 9/2024, você também avalia a viabilidade do formato, cuida do sigilo, faz contrato, tem meios para urgência e registra o atendimento. Não há cadastro prévio.
Pode, desde que tenha inscrição ativa no CRP e esteja capacitado para o serviço que oferece, segundo o CRP-04. Você também precisa avaliar se o formato online é adequado a cada caso e proteger o sigilo.
Não. A Resolução CFP 9/2024 revogou as normas de 2018 e 2020, e o cadastro prévio deixou de ser exigido. O que continua valendo é o registro ativo no CRP, a capacitação e a avaliação de cada caso. Páginas antigas ainda citam o e-Psi, então confira a data do conteúdo.
Pode. A norma permite oferecer serviços mediados por tecnologia independentemente do estado da sua inscrição principal e dispensa a inscrição secundária. Os limites de alcance valem para a prática em território nacional, e profissionais que moram no exterior seguem a lei local (art. 6º, §2º). Se você ou o paciente estiver em outro país, consulte o seu CRP.
O texto da resolução não trata de gravação. Se você pretende gravar, combine antes com o paciente, informe a finalidade e consulte o seu CRP. Muitas ferramentas gravam por padrão, então confira essa configuração.
A norma permite avaliar a viabilidade, mas o art. 5º pede que você considere o atendimento presencial ou o encaminhamento à rede de proteção em casos de risco à vida, violência ou emergência, entre outros. Tenha meios de contato e um plano antes da sessão e registre as ações no prontuário.





